Looping the Loop

ULA SICKLE | CANADA / POLAND

LOOPING THE LOOP: FROM AFRICAN DANCE TO AMERICAN HIP HOP AND BACK AGAIN
Instalação Audiovisual Interactiva / Interactive Audiovisual Installation
1 A 11 DEZ / DEC | QUINTA A DOMINGO / THURSDAY TO SUNDAY  | 10h às 18h / 10 a.m. to 6 p.m.
Inauguração 1 DEZ às 21h (com presença da artista) // Opening on the 1st DEC 9pm (with the artist’s presence)
MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA
Rua das Janelas Verdes, 1249 – 017 Lisboa
A vídeo-instalação de Ula Sickle Looping the Loop surge no Museu Nacional de Arte Antiga em diálogo com um retrato equestre de Luís XIV, da autoria de Adam Franz Van der Meulen, numa relação inusitada explorada textual, imagética e sensitivamente. Ula Sickle’s Looping the Loop, video-installation proposed in partnership with the National Ancient Art Museum, establishes a dialogue with an equestrian portrait of Luís XIV by Adam Franz Van der Meulen in an unexpected relationship explored literally, imagery and sensitively.
AS TRANSFORMAÇÕES DA REPETIÇÃO
A proposta de vídeo-instalação de Ula Sickle emerge-nos numa transformação feita a partir de um plano, com várias repetições, no qual se desenha a energia crescente de uma interpretação física a partir de um estímulo musical. Entre o que se vê e o que nos é dado a ouvir, projecta-se uma visão-espelho assente na relação/descoberta do desafio que o corpo exerce. Existe a neutralidade do espaço urbano que estamos habituados a ver nesta tipologia de dança. Ula leva-nos a um espaço onde todas as cidades habitam temporalmente no corpo que dança para si e para nós/público. É um projecto fortemente vinculado aos percursos do espontâneo e dos trilhos específicos que determinam as raízes da dança hip-hop.
Looping the Loop desperta sensibilidades e propõe uma reflexão sobre a organização do tempo e da presença do corpo no espaço. Revela o desejo de investigar possibilidades de propostas alternativas à dinâmica e estudo do limite do tempo de uma dança. Estas percepções poderão permitir apontar a possibilidade de olhar sobre alguns eixos da vivência do corpo perante a música. Looping the Loop propaga-se a quem se descobre e se dá a descobrir através de um filtro-câmara. É um exercício exorcista cuja instalação revela um sistema de sensibilização criativa, no qual se procura dar a ver de olhos abertos e “ouvidos tapados”.
Este é um circuito estimulante, em loop, que culmina com a produção de um eixo música-corpo, no qual o resultado nos permite ter um corpo que evoca e partilha experiências e respirações como se tivéssemos alguém a dançar para e por nós. Contudo, é um retrato filmado com características fortemente documentais, ou seja, é uma interpretação criativa da realidade.
Pedro Sena Nunes e Ana Rita Barata
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REPETITION’S TRANSFORMATION
The video installation proposed by Ula Sickle immerses the public in to a transformation achieved through a repeated shot, and a growing energy is drawn from a physical interpretation based on a musical spur. Between what is seen and what is given to us to hear, a mirror-vision is projected, based on the relation/discovery of the challenge the body is exercising. There is the neutrality of the urban space that we are used to see in this type of dance. Ula takes us to a space where all the cities temporally inhabit the body that is dancing for itself and for us/audience. It is a project strongly attached to journeys of the spontaneous and the specific paths that determine the roots of Hip Hop dance.
Looping the Loop awakens sensibilities and suggests a reflection on time organization and the presence of a body in space. It reveals the desire to investigate possibilities of alternative proposals to the dynamic and study of a dance’s time limit. These perceptions point out the possibility to look over some axes of the body’s experience before music. Looping the Loop spreads to those who discover themselves and give themselves to discover through a filter named camera. It is an exorcist exercise whose installation reveals a system of creative awareness, in which it tries to see with eyes wide open and the ears covered.
This is a stimulating circuit, in a loop, that culminates with the production of a body-music axe, in which the result allows us to feel a body that evokes and shares experiences and breaths as if we had someone dancing for us and through us. However, it is a filmed portrait with strong documentary features, meaning it is in fact a creative interpretation of reality.

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LE ROI DANSE

É conhecida a importância que a componente visual e cénica detém na formulação estelar do exercício do poder desenvolvida pelo Rei de França Luís XIV (o Rei-Sol), revolucionando a própria cultura simbólica realeza, a partir do Palácio de Versalhes e criando um novo modelo de impacte global. Menos conhecido é o facto de a dança (arte para cujo exercício o próprio monarca revelaria notáveis apetências), desempenhar, por intermédio do compositor régio Lully – autor de coreografias que tinham nele a figura central -, um papel estrutural nesse processo, contribuindo activamente para a construção de uma imagem régia eminentemente performativa, caracterizada por um novo magnetismo, vincando uma relação centrípeta com o conjunto da nação, senão com o mundo: tema recentemente abordado pela cinematografia, por intermédio do fílme cujo título aqui se adopta, realizado por Gérard Corbiau em 2000.
Pareceu assim oportuno, ao acolher no MNAA a instalação de Ula Sickle, dedicada ao fenómeno contemporâneo do Hip-Hop e ao seu carácter discursivo e trans-cultural, entrecruzá-lo com o magnífico retrato equestre do soberano que se expõe nesta sala, sendo que ainda menos atentadas são as relações entre arte e guerra (outra das vertentes do presente projecto), no contexto da cultura coreográfica do Barroco. No retrato real e no movimento expressionista que agita a composição, plasmam-se, afinal, estratégias de comunicação porventura não dissociáveis das que, em nossos dias, fazem de um dançarino, pelo tempo da sua representação, o centro magnético do universo em que se estabelece. Em ambos, com efeito, é a presença de um corpo que organiza espaço e tempo e não serão mais abstractos os movimentos do dançarino contra o seu fundo etéreo de azul-rei que os do próprio monarca, mobilizando, no ímpeto retórico da pose, o olhar implícito de um público virtual.
Professor António Filipe Pimentel, Director do Museu Nacional de Arte Antiga

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LE ROI DANSE
The importance of scenic and visual component in the exercise of power carried out by the King of France Luís XVI (the Sun-King) is well known, revolutionizing symbolic royalty culture itself from Versailles Palace and creating a new model of global impact. Less known is the fact that dance (art to which the monarch himself would reveal remarkable skills) plays, by the regal compositor Lully, author of choreographies in which he was the main protagonist, a structural role in this process, actively contributing to the construction of a regal image which is eminently performative, characterized by a new magnetism, creasing a centripetal relation with the nation, as well as the world, as a whole: theme recently explored on cinematography by a film whose title is here referred, directed by Gérard Corbiau in 2000.
It seems therefore timely to welcome at MNAA Ula Sickle’s installation, dedicated to contemporary phenomena of Hip-Hop and its discursive and trans-cultural speech and cross it with the magnificent equestrian portrait of the sovereign exhibited at this room, given the scarce attention paid to the relations between art and war (another of the strands patent at the present exhibition), in the scope of Barroque’s choreographic culture. In the royal portrait and expressionist movement that stirs the composition are visible communication strategies similar to those of our times, which make of a dancer, due to his ephemeral representation, the magnetic centre of the universe drawn when performing for an audience. One can observe in both oeuvres the presence of a body that is the centre of space and time and the movements of a dancer against an ethereal background of king-blue, which are just as abstract in Dinozord’s as in the Monarch’s, who draws the implicit eye of a virtual public within the impetus of his rhetoric pose.
Professor António Filipe Pimentel

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Em Looping the Loop, Dinozord, um jovem bailarino de hip-hop oriundo de Kinshasa (República Democrática do Congo), desenha as raízes desta forma de dança trans-histórica e trans-nacional. Começando na tradicional dança Africana e apropriando-se de material retirado de vídeoclips do youtube, faz referência à dança de entretenimento, incluindo o início da Brodway, Jazz, a cena New York Hip Hop dos 70’s e 80’s até estilos mais contemporâneos, terminando no Krump, um estilo de dança muito popular em Kinshasa com origem em LA. Filmado em vários takes de longa duração, nos quais o bailarino desempenhou a sequência de estilos em contínuo e sem paragens, o material é editado de forma a comunicar a energia e o esforço crescentes do performer. O som sugere a proximidade sólida de um corpo, os movimentos e respiração do bailarino, elementos usualmente dominados pela música que são aqui tornados audíveis. Esperaríamos que a amplificação destes sons aproximasse a dança do espectador, mas tem simultaneamente o efeito contrário. Uma vez que a dança em si não estabelece qualquer identificação com música, surge um sentido de alienação. Este modelo – de uma dança que se aliena a si mesma da música e coloca o bailarino no centro da acção – poderá revelar também um poder de emancipação: a esperança de velhas e novas formas de liberdade, expressas através dos corpos dos mais jovens. Nesta exibição no Museu Nacional de Arte Antiga, a vídeo-instalação evoca, tanto o intervalo de tempo abrangido pela dança em execução, como também a história colonial que a acompanhou.
Apresentado como instalação, esta projecção vídeo de tamanho real é exibida ao lado de uma imagem fixa retirada de um filme da autoria do realizador congolês Petna Katondolo, cujas reportagens da vida em Goma (Este do Congo) para a Metropolis TV (Holanda), constituem uma fonte de inspiração para este projecto. A imagem e o som ambiente que a acompanha foram registados durante uma competição de dança organizada pelo realizador em Outubro de 2008. Simultaneamente com um conflito regional motivado por interesses internacionais pelos recursos naturais da região, a competição recebeu a participação de milhares de espectadores locais, bem como refugiados desterrados pela guerra.

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In Looping the Loop, Dinozord, a young Hip Hop dancer from Kinshasa (DR Congo) traces the roots of this transhistorical and trans-national dance form. Starting from traditional African dance, and appropriating material from youtube clips, he references forms of entertainment dancing, including early Broadway, jazz, the New York Hip Hop scene of the 1970’s and 80’s, to more contemporary styles, ending with Krump, an LA based dance style also very popular in Kinshasa. Filmed during several full-length takes, where the dancer performed the sequence of styles one after another without stopping, the material is edited in such a way as to communicate the mounting energy and effort of the performer. The sound suggests the solid proximity of a body, the dancers movements and breathing; all elements that are usually dominated by the music, are here made audible. You would expect the amplification of these sounds to bring the dance closer, but it also has the opposite effect. Because the dance no longer identifies with music, a sense of alienation arises. This form – a dance that has alienated itself from the music and which puts the dancer centre-stage – may also reveal an emancipatory power: the hope of old and new forms of freedom, expressed through the bodies of young people. In this presentation in the National Museum of Ancient Arts, the video installation resonates, both in terms of the time span covered by the dances being performed as well as the colonial history which has accompanied it.
Presented as an installation, the life-size video projection is displayed next to a still image taken from a film by Congolese filmmaker Petna Katondolo, whose reportages on life in Goma (East DRC) for Metropolis TV (NL), are a source of inspiration for this project. The image and the ambient sound that accompany it, were taken during a dance competition he organized in October 2008. Simultaneous with a regional conflict backed by international players over the area’s natural resources, the dance competition was attended by thousands of local spectators as well as refugees displaced by the war.
www.vimeo.com/4572905
“No trabalho de Ula Sickle Looping the Loop, não vemos um divertido homem preto a dançar ao som da música. Ao invés, escutamos a sua respiração e sentimos os seus passos, que dançam sobre a história colonial e cultural do preto Africans. A presença intensa do bailarino proíbe a imersão do espectador num fluxo de fruição da dança, tornando evidente o entendimento da mesma enquanto acto coreografado conscientemente, uma colecção de gestos sócio-culturais que acusam ideologias políticas e económicas. Entendo neste trabalho referências à dança social, tanto como à indústria do entretenimento, histórias pessoais ilegais e histórias colectivas do colonialismo e da Diáspora Africana. O que me toca é a simplicidade da apresentação, que me permite perceber a dança como pensamento incorporado da nossa herança cultural e política.” Kirsi Monni em “What Kinds of Ideas Are Guiding Choreographic Work? – conceptualizing choreography since 1960s”
“In Ula Sickle’s work Looping the Loop, we don’t see an entertaining black guy dancing to the music. Instead we hear his breath and feel his footsteps, which dance around the cultural and colonial history of black Africans. The intense presence of the dancer prohibits the audiences’ immersion in an entertaining flow of dancing, thus making visible the dance as a consciously choreographed act, a collection of socio-cultural gestures indicating the economic and political ideologies that lie underneath. From this work I read references to social dancing as well as to the entertainment industry, to undocumented personal histories as well as to collective histories of colonialism and the African Diaspora. What touches me here is the simplicity of the presentation, which allows me to closely perceive the dancing as an embodied thinking of one’s cultural and political heritage. ” Kirsi Monni from “What Kinds of Ideas Are Guiding Choreographic Work? – conceptualizing choreography since 1960s”

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www.ulasickle.com
ULA SICKLE

Nascida em Toronto em 1978, é uma artista e performer que vive e trabalha em Bruxelas, Bélgica. Trabalha sobre diversas disciplinas, frequentemente em colaboração com artistas de outros âmbitos. Enquanto o seu trabalho adopta diversas formas, desde o vídeo à instalação e live performance, é informado por uma abordagem coreográfica ao movimento e trabalho sobre a percepção e recepção específico da performance.

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Ula Sickle was born in Toronto and studied art history before attending, Performing Arts Research and Training Studios in Belgium. After graduating, she created the lable Rebecca September to produce performances in collaboration with other artists, often across disciplines. Since 2008, she has been a frequent visitor to the Democratic Republic of the Congo, where she has gotten to know many great local artists. Ula was an artist in residence at Le Fresnoy, Studio National des Arts Contemporains, in the north of France.
LOOPING THE LOOP: FROM AFRICAN DANCE TO AMERICAN HIP HOP AND BACK AGAIN
FICHA ARTÍSTICA / CAST
Conceito / Concept : Ula Sickle, em colaboração com / in colaboration with Dinozord & Petna Ndaliko Katondolo
Realizador / Director : Ula Sickle
Câmara / Camera : Vincent Pinckaers
Assistente de Câmara e Electricista / Camera Assistant and Electrician : Sylvain Briant
Som / Sound : Yann Leguay
Edição / Editing : Petna Ndaliko Katondolo, Ula Sickle
Produtor / Producer : Le Fresnoy
Produção / Production : Studio National des Arts Contemporains (2009)

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